Paris por Mônica Meira

Fui convidada pela Comunicação UP a compartilhar tudo de mais lindo e interessante que vivi e descobri em Paris nos dias que passei por lá no ano de 2013.

Mônica Meira é estudante de direito da UFS, tem uma página de poemas e crônicas que ela auto intitula de “depósito” (vermelhovivo.tumblr.com) e, além disso, foi uma das jovens betas selecionadas para o nosso último estudo, o Beta Colors. E como passou um tempinho em Paris, pedimos para a Mônica compartilhar com a gente tudo de mais lindo e interessante que ela descobriu na Cidade Luz.

1 – [Conhecendo Paris]

Paris é o lugar ideal para se perder e se encontrar. Caminhar sem destino, sabendo que no fim das contas, o destino estará por lá. Encontrando em cada esquina algo de mágico, colorido e nostálgico, que te trará aquela lembrança de um passado que você nem chegou a viver. A cidade sussurra histórias em seus ouvidos.

Descubra Paris através dos sapatos dos passantes. Nos telhados avermelhados, nos olhares eternos das estátuas, no caminhar dos apressados errantes. Despretensiosamente sente num dos milhares de Cafés espalhados pela cidade e contemple por alguns instantes toda a distinção e o mistério francês que soa como música e encanta.

Brinque com Paris. Fotografe-a nos detalhes das esquinas, nos balcões, nas flores, nas franjas das meninas. Deite em sua grama, beba a água de suas fontes, admire a melancólica correnteza do rio Sena num fim de tarde. Compre a famosa baguete, o Le Monde, as frutas vermelhas no mercado. Se atualize com a política, a arte e a moda local. Não fique em hotel, tenha vizinhos para dar bonjours e bonsoirs.

Visite todos os principais monumentos de grandiosidade histórica e arquitetônica da cidade, como o Arco do Triunfo e a exuberante Torre Eiffel, mas lembre que você só verdadeiramente conhecerá Paris, quando sentar calmamente para tomar um café com ela.
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2 – [Montmarte e o Le Marais]

Que Paris é feita de infinitos encantos já sabemos, mas gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas de programas e endereços específicos de alguns dos meus bairros favoritos.

O primeiro é o famosíssimo e emocionante bairro boêmio Montmarte. Meu favorito. Um dos locais mais altos da cidade, costumava ser frequentado por grandes artistas e intelectuais, que ao longo da história confabularam a liberdade e revolucionaram a arte enquanto caminhavam por aquelas ruas. Aos pés de Montmartre também está o incrível Moulin Rouge, que dispensa apresentações. É figura marcante da história da Paris da Belle Époque.

Os amantes do cinema francês também encontrarão em Montmartre muitas referências. Lá foram gravados filmes, como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Assim, os fãs poderão tranquilamente interagir com as locações do filme, como tomar um café no mesmo local em que a Amélie trabalhava.

Este bairro não é o favorito da maioria dos parisienses, mas para quem vai visitar a cidade por amor à história e à arte, ele será um museu a céu aberto. Aqui vão algumas outras dicas de lá:

1) Um drink no Le Consulat – Um bistrô que ocupa uma das esquinas mais efervescentes do bairro e que foi o ponto de encontro de ninguém menos do que Picasso, Monet, Degas, Van Gogh e Toulouse-Lautrec. A visita é indispensável aos amantes da arte. O lugar te faz imaginar tudo aquilo que pode ter sido pensado e discutido por todos aqueles artistas que o frequentavam no passado.

2) Fotografias na Praça dos Artistas – A alguns passos do Le Consulat você mergulhará em um balde de tinta. Na praça dos artistas assistirá pintores e desenhistas retratando passantes e paisagens, e caso queria, também poderá ser desenhado por alguns deles. Se você curte fotografia poderá permanecer por alguns instantes capturando aquele lindo ambiente colorido e delicado.

3) Pôr-do-Sol na Sacré Coeur – Seguindo o roteiro, assista o pôr-do-Sol num dos cartões postais mais bonitos de Paris: A basílica do Sacré Coeur. Lá você encontrará uma escadaria repleta de pessoas acompanhando a apresentação de algum artista, ou mesmo apenas contemplando a deslumbrante vista da cidade. Recomendo a visita mas adianto que encontrará por lá uma multidão de turistas disputando o enquadramento da foto perfeita. Mesmo assim, esta é uma visita fantástica e imperdível.
Le Marais é um outro bairro encantador. Eleito como o bairro gay de Paris. Um lugar animado, cheio de brechós, livrarias e museus. Caminhei por lá muito contente por estar presente naquele momento específico da história em que eu pude acompanhar a conquista dos casais gays franceses que agora(oficializado um dia antes de minha chegada por lá) poderão se casar. Do Le Marais deixo uma dica preciosa aos fãs de brechós:

4) Compras retrôs no brechó Kilo Shop – Neste brechó roupas são vendidas a quilo. Isso mesmo. Você junta tudo que quer e de acordo com a coloração da etiqueta, coloca as peças na balança adequada e descobre quanto elas te custarão. Encontrará preciosidades por ótimos preços. Aos amantes da moda e do retrô, este lugar será uma espécie de parque de diversões.

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3 – [Museus e a Educação das Crianças]

Nesta minha última visita a Paris estive em dois grandes museus, o Museu De Orsay e o Centro Pompidou. Ambos incrivelmente fantásticos e imperdíveis. O primeiro é um clássico. Lá você encontrará pinturas de Van Gogh, Degas, Monet entre outros mestres das artes. Sugiro aos que forem visitar esse museu, que comprem o ingresso pela internet, ou então encontrarão longas filas que acabam tomando um pouco de seu precioso tempo pela cidade. Mas não deixem de fazer essa visita, este museu é realmente encantador.

No Centre Pompidou, além de um acervo de também grandes clássicos como Picasso, Miró e Matisse, você encontrará os tesouros da arte moderna e contemporânea, como Andy Warhol, obras dadaístas, e diversas exposições (quando estive lá estava acontecendo a exposição de Eileen Gray). O Centro Pompidou chama muito a atenção por toda a sua estrutura arquitetônica diferenciada e por trazer dentro de si mais do que exposições de arte, mas também uma incrível biblioteca e teatros, além de possuir uma vista exuberante de toda a cidade. Imperdível!
Enquanto andava pelos museus de Paris, uma das coisas que mais me chamaram a atenção (além das obras de arte), foram as crianças. É encantador vê-las participando intensamente de tudo aquilo, observando as pinturas, questionando seus pais sobre elas e estes tentando explicar o que aquilo poderia significar. Como seria bom que pudéssemos nos deparar com práticas mais frequentes como esta aqui no nosso país…

Observei nestes museus, diversas excursões de escolas onde todos os grupinhos de pequeninos sentavam em frente a alguma pintura ou escultura, e a professora então explicava o que seria expressar-se através da arte, além de questioná-los constantemente sobre o que eles compreendiam a partir do que viam. E eles não piscavam os olhos. Anotavam coisas, tiravam dúvidas e se empolgavam com a chance de compartilhar algum pensamento sobre aquilo. Em diversas livrarias também me deparei com cenas parecidas. Realmente, um país que investe em educação, promove a arte, o conhecimento e a sensibilidade desde a infância, produzirá grandes adultos. E em Paris isso é muito frequente e inspirador.

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4 – [A moda em Paris]

Em Paris você se sente inspirado e dedicado a se expressar através da moda. E você volta de lá mais decidido a vencer toda a timidez do seu dia a dia, e assumir a sua vontade de escolher suas roupas com mais destemor, cor e irreverência. Afinal, é importante vestir-se de si mesmo todos os dias. E a moda nada mais é do que um artifício de expressão pessoal.

Pois bem, visitei duas grandes lojas multimarcas parisienses, o Le Bon Marché e Galeries Lafayette, no interesse de observar as novas referências que Paris estaria trazendo para o mundo nesta estação. Curiosamente, em minha visita ao Le Bon Marché tive uma grande surpresa ao me deparar com o tema da coleção atual: “Le Brésil”. Isso mesmo, nossa moda era a inspiração da estação da cidade que a gente entende como a referência de moda para o mundo e inclusive para muitas lojas em nosso próprio país. Fiquei feliz com a coincidência. Acreditei que aquilo só indicava o quanto a moda é algo universal e o quanto a liberdade de expressar-se através dela (como bem quiser) é algo fundamental. Parisienses que se vestem como brasileiros e brasileiros que se vestem como parisienses. Indivíduos que se vestem como se sentem bem.

As pessoas em Paris são realmente elegantes. Até quando andam de bicicleta. E esta elegância a que me refiro, nada tem a ver com luxo, mas sim com criatividade. Tem muito de personalidade, liberdade e identidade por todos os lugares. Inclusive, muitos turistas incorporam esse espírito e caminham pela cidade com suas roupas e acessórios motivadamente alegres, deixando Paris na primavera um lugar ainda mais colorido.

Dica aos amantes da moda: recomendo a visita à exposição “Paris Haute Couture” que atualmente está acontecendo na Salle Saint-Jean do Hôtel de Ville. Entrada franca e um grande número de tesouros da alta-costura parisiense ao longo da história. Imperdível!

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