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Uma Vida Invisível

O livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” da autora brasileira Martha Batalha, foi o melhor livro que li em 2016. Sei que o ano ainda não acabou, mas sinto que nada conseguirá superar o impacto que esta obra teve em mim.

O livro conta a história de Eurídice, uma mulher brasileira típica dos anos 40, e de sua irmã, Guida. Assim como conta a história de muitas outras mulheres. Como disse a própria autora, Eurídice e Guida foram baseadas na vida das minhas e das suas avós. 

Depois de ler este livro, resolvi homenageá-lo de todas as formas possíveis. Decidi recomendá-lo a todos que conheço, e assim tenho feito, afinal seria muito egoísmo não revelar este foi para mim, um dos melhores livros que já li também na vida. Uma história delicada, poética, triste e feliz, real. Infelizmente muito real.

Uma história de uma mulher brasileira escrita por uma mulher brasileira. Participe do movimento Leia Mulheres!

E então, juntamente com o apoio fotográfico da amiga e talentosa Julia Duarte, idealizei este curto ensaio que retrata uma mulher como Eurídice, que queria tanto, mas só restou o que foi condicionado por uma sociedade machista. Uma mulher que figurava como um jarro na disposição dos móveis da casa. Uma mulher cheia de sonhos arquivados para promover a realização dos sonhos dos outros. Uma mulher, uma menina, igual a mil, como diria Chico Buarque. Um mulher que poderia ter sido. 

Ao longo do post aproveito para apresentar alguns trechos deste livro tão encantador e marcante…

“Porque Euridíce, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Euridíce lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar. E foi assim que concluiu que não deveria pensar.”

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“Era bom e intenso e eterno. Até deixar de ser.”

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“Eurídice precisava de um novo projeto. Precisava de algo que preenchesse as manhãs de ócio e as horas angustiadas de fim de tarde, quando os filhos ainda não tinham chegado da escola e quando tudo não parecia levemente enlouquecedor, tudo era irremediavelmente enlouquecedor. Nessas horas perdidas ela podia sentir a solidão se transformar em angústia, a angústia se transformar em loucura e a loucura sussurrar-lhe calma e firme: Um dia eu te pego, um dia eu te pego, um dia eu te pego.”

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“A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” – Martha Batalha

Companhia das Letras – R$ 31,90

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